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FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DO PARTIDO
SOCIALISTA BRASILEIRO - PSB
Você estará acompanhando e participando,
durante o curso, de um projeto de
construção de uma sociedade socialista
democrática. Será solidária, com
igualdade de direitos na lei e na
prática, respeito aos semelhantes em
suas idéias e sonhos, com diálogo
constante entre homens e mulheres de
todas as idades. Todos se sentirão
incluídos pois trabalham e decidem em
comum, possuem o necessário para viver
bem alimentados, com saúde, amplo acesso
à educação, conhecendo e produzindo
cultura, com segurança, lazer e
transporte, em meio ambiente saudável.
Problemas e divergências vão ocorrer. O
esclarecimento, o debate, a decisão pela
maioria de pessoas ,com igualdade real,
vai favorecer as soluções. Todos serão e
se sentirão gente.
Ainda estamos longe de chegar a esta
sociedade, mas em 60 anos, o PSB
contribuiu para nos aproximarmos de uma
vida melhor. Se você já milita no PSB,
vai se identificar nos projetos e lutas.
Se não, vai se surpreender em ver
funcionando, em nosso país, um partido
fiel a seus princípios e programa. Como
em toda organização humana houve erros
em avaliações, decisões e ações. Apesar
de algumas pessoas tentarem utilizar a
legenda para objetivos puramente
pessoais, predominaram amplamente as
ações coletivas e partidárias. Podemos
dizer isso pois examinamos material
escrito interno e externo ao partido,
imagens e depoimentos diversos.
Vamos narrar de maneira sintética os
momentos mais importantes desta
construção.
1. O Partido Semente (1947-1965)
Em 1945, quando findava o Estado Novo,
formou-se a Esquerda Democrática. Seu
objetivo era combinar as transformações
sociais com ampla liberdade civil e
política. Baseava-se num conceito amplo
de esquerda: socialismo construído de
forma gradual e legal, nacionalismo e
defesa da democracia. Diferenciava-se
dos udenistas que defendiam o
liberalismo econômico e do socialismo
autoritário e estatista dos comunistas.
“ O Partido não considera socialização
dos meios de produção e distribuição a
simples intervenção do Estado na
economia” e “realizar-se-á
gradativamente, até a transferência, ao
domínio social, de todos os bens
possíveis de criar riqueza, mantida a
propriedade privada nos limites das
possibilidades de utilização pessoal,
sem prejuízo do interesse coletivo”.
Entre seus fundadores estavam: João
Mangabeira, Domingos Vellasco, Hermes
Lima, Rubem Braga, Osório Borba, Joel
Silveira, José Lins do Rego, Jader de
Carvalho, Sergio Buarque de Hollanda e
Antonio Candido.
Em 1947, a Esquerda Democrática
transformou-se no Partido Socialista
Brasileiro, com o mesmo programa e
propostas da E.D. Propunha-se a ser um
partido de “todos que dependam do
próprio trabalho”.Defendia reformas
imediatas como a nacionalização de áreas
economicamente estratégicas, a ampliação
dos direitos dos trabalhadores, a
garantia de saúde e educação públicas,
além do desenvolvimento da democracia e
dos meios de participação popular. Em
sua estrutura partidária já trazia uma
novidade que caracterizaria o perfil
democrático e conscientizador do PSB: os
Núcleos de Base. Através deles, a
militância poderia se envolver no
projeto partidário, discutir as questões
nacionais e através da soma das opiniões
debatidas formar a orientação e o alvo
da ação partidária. A imprensa
partidária teve na Folha Socialista,
desde 1947, um centro de debates. Em
1950 tornou-se um semanário, vendido em
bancas, combinando o debate político com
as informações cotidianas. Os
representantes eleitos prestavam contas
e tinham seus mandatos discutidos.
Combatiam aumentos indevidos em seus
salários. Tinham grande preocupação com
o trato do dinheiro e bens públicos. O
PSB sempre lutou para trazer sua
militância e as camadas oprimidas do
povo para a arena da ação política e da
participação direta nos rumos da nação,
despertando da apatia política e do
conformismo com uma realidade que lhes é
adversa. O PSB foi pioneiro na campanha
do petróleo, com a atuação parlamentar
de Hermes Lima e com a organização
popular através da UNE, dirigida na
época por socialistas: Roberto Gusmão
(1947/48) e Rogê Ferreira (1949/50). Na
questão agrária, desde 1948, fizeram
propostas inovadoras como as
cooperativas agrícolas que produziriam
alimentação, trabalho e renda em terras
abandonadas na periferia de São Paulo ou
o Código da Terra, que incluía a
distribuição, a questão ecológica, a
política trabalhista e agrícola. Teve
lideranças destacadas nos anos 60, como
Francisco Julião que foi deputado
estadual e federal do PSB de Pernambuco
e João Pedro Teixeira, presidente da
Liga de Sapé, na Paraíba, e que,
assassinado pelo latifúndio, deu base ao
filme: “Cabra Marcado para morrer”.
O Partido também teve atuação marcante
na Frente Parlamentar Nacionalista,
desde 1956, sob a liderança de seu
deputado federal, Barbosa Lima Sobrinho.
Nos processos eleitorais salientaremos
alguns momentos. Em 1952, Osório Borba
foi candidato do PSB ao Governo de
Pernambuco, com apoio do PCB. Venceu em
Recife e Olinda mas foi derrotado pelo
voto do interior, mas abriu caminho para
a “Frente do Recife” que levou Pelópidas
da Silveira (PSB) à prefeitura. Esta foi
uma administração brilhante, voltada
para obras que beneficiaram
principalmente as classes mais
desfavorecidas.Foram criadas associações
de bairro e audiências coletivas
quinzenais nas quais o prefeito discutia
com o povo os problemas da cidade.
Miguel Arraes o sucedeu e em 1962, com
apoio da Frente que incluía o PSB,
tornou-se Governador. O combate ao
analfabetismo e a defesa dos direitos
dos trabalhadores rurais marcaram sua
administração.
Em 1953, o PSB apoiou Jânio Quadros,
vereador progressista, para a prefeitura
de São Paulo. Os socialistas tiveram
participação na Secretaria de Higiene,
dando ênfase ao saneamento básico, na
Secretaria de Alimentação, enfrentando
os intermediários e na Empresa Municipal
de Transportes. Com pequena margem de
votos na Convenção, obteve o apoio do
partido para a candidatura a governador.
O grupo paulista crítico a Jânio retomou
a direção do Partido em 1957 e em 1960 a
Convenção Nacional do PSB rompeu com
Jânio, apoiando Lott. A aproximação com
Jânio trouxe crescimento eleitoral mas
perda de substância política.
Uma característica que sempre marcou e
marca até hoje a história do PSB é a
postura democrática. Mesmo discordando
dos comunistas, posicionaram-se contra a
cassação dos mandatos e ofereceram
legenda para seus candidatos. Em 1950,
mesmo derrotados por Vargas, defenderam
sua posse. Frente às pressões udenistas
para derrubá-lo, o senador socialista,
Domingos Vellasco, declara: “A posição
dos socialistas é a de quem alerta o Sr.
Getúlio Vargas.Desejamos, como
defensores da constituição, que ele se
mantenha na Presidência da República até
o fim de seu mandato.E assim desejamos
porque, como socialistas democráticos,
somos contrários a qualquer golpe, a
qualquer ditadura, a qualquer
substituição de governo que implique
retrocesso político, mas exigimos dos
poderes constituídos a punição de todos
os corruptores e dilapidadores da
fortuna pública”.
Em 1960, após a renúncia de Jânio
Quadros, o PSB participou ativamente da
campanha da legalidade contra a
tentativa dos militares e setores
conservadores de evitar a posse de João
Goulart. O governo de Jango foi marcado
pela busca das reformas de base. Os
conservadores organizaram-se para manter
os privilégios. Nesse cenário o PSB
ampliou sua participação nas lutas
sociais e no parlamento. No movimento
estudantil a maior liderança do Partido
era Altino Dantas, no movimento sindical
urbano era o presidente do sindicato dos
metalúrgicos de São Paulo, Remo Forli,
na luta pela reforma agrária, Francisco
Julião.
João Mangabeira foi Ministro de Minas e
Energia e depois Ministro da Justiça no
período parlamentarista do governo
Goulart. Aurélio Viana, Barbosa Lima
Sobrinho, Domingos Vellasco, José
Joffily, Jamil Haddad, Adalgisa Nery e
muitos outros foram lideranças
parlamentares nacionalmente respeitadas.
Em 31 de março de 1964, deu-se o golpe
militar que derrubou Goulart. Em 1965, o
Ato Institucional nº2 extinguiu os
partidos políticos.
A maioria dos militantes do PSB foi para
o MDB onde Aurélio Viana tornou-se uma
das lideranças. Alguns foram para
atuações mais radicais, como Altino
Dantas, que foi para a ALN. O PSB se
dispersou durante o regime militar.
Quando houve a abertura política alguns
como Pelópidas da Silveira ficaram no
PMDB, outros como Jamil Haddad,
Saturnino Braga e Rogê Ferreira foram
para o PDT e outros como Antonio
Candido, Sérgio Buarque de Hollanda e
Fúlvio Abramo ajudaram a fundar o PT.
Apesar de ter pequena expressão
eleitoral, ser mais um partido de
quadros do que de massas, o PSB lançou
as sementes não apenas de uma ampla
democracia partidária como de uma
atuação política fiel a seu programa,
voltada para o socialismo e a liberdade.
Seu presidente João Mangabeira, desde a
Esquerda Democrática até sua morte em
1964, é considerado uma das figuras mais
respeitadas na vida política brasileira,
por sua honestidade, inteligência,
princípios firmes de defesa do
socialismo democrático
2. A Refundação do PSB
(1985/1989)
Conquistada a democracia em 1985,
articula-se no Rio de Janeiro, um grupo
de professores e estudantes
universitários para organizar um partido
socialista. Para resistir e vencer a
ditadura, a sociedade civil desenvolveu
inúmeras lutas. Organizou as associações
de bairro, as comunidades eclesiais de
base e principalmente a “Campanha pelas
diretas”, que criaram um tecido social
mais amplo para a participação política.
Para obter a habilitação do PSB foram
procurados remanescentes da antiga
Esquerda Democrática como Joel Silveira,
Rubem Braga, Jader de Carvalho e Evandro
Lins e Silva que concordaram em assinar
o manifesto de reorganização. O
escritório de Evandro, na avenida Rio
Branco, tornou-se a sede das reuniões
semanais.
No dia 2 de julho ocorre a reunião de
“refundação” do PSB. O manifesto
apresenta o mesmo programa e estatuto do
período 1947/65. Com os mesmos
propósitos socialistas e democráticos,
mostram que,40 anos depois, as mesmas
formas de exploração persistiam,
agravadas pela brutalidade da ditadura
militar. Apontam a necessidade de
trabalhar também contra a discriminação
racial, opressão às minorias, às
mulheres e crianças, violências contra
culturas alternativas, degradação da
qualidade de vida, depredação do meio
ambiente, e genocídio de nações
indígenas. Propõe uma cidadania ativa,a
incorporação de novos direitos sociais,
democratização dos meios de comunicação
e defesa da soberania nacional.Em
conclusão: descentralização completa do
poder em uma economia gradativamente
socializada. A Comissão Diretora
Nacional terá Antônio Houaiss como
presidente e como membros: Marcello
Cerqueira, Roberto Amaral, Evandro Lins
e Silva, Jamil Haddad, Joel Silveira,
Rubem Braga e Evaristo de Moraes Filho.
Entre os que assinam a Ata de
Reorganização vamos encontrar também
professores e pesquisadores respeitados
hoje como César Guimarães, Wanderlei
Guilherme dos Santos e Eli Diniz. Está
também o estudante Cláudio Besserman
Vianna, que vai se tornar o admirado
humorista Bussunda.
Habilitado o PSB participa com alguns
candidatos próprios às eleições
municipais nas capitais e apóia
candidatos progressistas e de esquerda.
Como Saturnino Braga (PDT) venceu as
eleições para prefeito do Rio de
Janeiro, sua cadeira no senado será
ocupada pelo suplente, Jamil Haddad, em
março de 1987.
Em maio , a Convenção dos fundadores
elege como Presidente da Comissão
Diretora Nacional ,Jamil Haddad e como
Secretário Geral, Roberto Amaral.
O gabinete do senador vai se combinar
com o gabinete de liderança do PSB,
oferecendo condições para a organização
das comissões municipais e estaduais e
para as publicações que discutem as
idéias do partido. Da tribuna, Jamil
expõe suas concepções e projetos e
apresenta o PSB ao país.
Em 1987 o partido tem seu registro
provisório e solicita registro
definitivo.
No Primeiro Congresso Nacional, em
Outubro de 1987, o PSB passa a ter
identidade. É oposição ao governo
Sarney, tem 10 metas imediatas que vão
da reforma agrária à socialização dos
setores essenciais, do ensino público e
gratuito em todos os níveis ao direito
irrestrito de greve, liberdade sindical
e jornada máxima de 40 horas semanais.
Definem: “Que socialismo queremos”:
“ Socialismo é sinônimo de uma sociedade
que aboliu a propriedade privada
capitalista dos meios de produção, os
quais passam a ser propriedade
cooperativas ou coletivas dos criadores
das riquezas, os trabalhadores.
Apresentam: “ Que partido queremos”:
É socialista, com compromisso
revolucionário e democrático, com
filiado militante, sem lideranças
privilegiadas, enraizado no movimento
social e sindical e atuação parlamentar
como consequência da organização dos
trabalhadores e todo o povo.
Em o “PSB e o movimento social”
tornam-se princípios:
Respeito à independência e autonomia
e às decisões de congressos das
categorias.
Formação de colegiados de
deliberação
Recusa da prática do paralelismo
Estímulo à solidariedade entre os
movimentos sociais.
Em julho de 1988 é aprovado pelo TSE o
registro definitivo. A organização
partidária traz crescimento e atrai
parlamentares que concordam com as
idéias definidas pelo Partido. Há um
grande trabalho na Constituinte.
Inicialmente, o PSB contava apenas com o
Senador Jamil Haddad (RJ) e a deputada
Beth Azize (AM) . Aliam-se aos setores
progressistas e de esquerda. Aos poucos
Abigail Feitosa (BA), José Carlos Sabóia
(MA), Raquel Capiberibe (AP), Ademir
Andrade (PA), José Luis Guedes (MG),
entram para o PSB e formam uma bancada
pequena, mas de grande qualidade. Só
Jamil apresentou 123 sugestões na
primeira fase, todas ligadas aos
princípios partidários e necessidades da
população como: reforma agrária,
possibilidade de ação popular, punição
exemplar à tortura. Das 536 emendas que
apresentou posteriormente, 114 foram
aprovadas.
A Constituição Cidadã, aprovada em
outubro de 1988, coroa o esforço inicial
do PSB refundado
Em 1989, o PSB vai solicitar a
intervenção federal no Pará, para
enfrentar a violência de assassinos de
trabalhadores e lideranças
parlamentares, entre elas o deputado
estadual José Carlos Batista e o
vereador Manoel Cardoso de Almeida do
PSB. A impunidade é completa.
Na campanha eleitoral o PSB tem
participação decisiva. Dois anos antes
da formação da Frente Brasil Popular, o
PSB já fizera a proposta. Depois de
muitas negociações, são escolhidos: Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência
da República e José Paulo Bisol, senador
pelo Rio Grande do Sul, que se
transferiu para o PSB, para vice
Presidente. Participou também o PC do B
. A campanha desperta grande entusiasmo
e as pesquisas apontam crescimento
constante. Collor vence o primeiro turno
e Lula fica em segundo lugar. O PSB
participa das articulações que ampliam a
frente para o segundo turno com o PDT,
PSDB, PV, progressistas do PMDB e
lideranças do movimento social. O
governador de Pernambuco, Miguel Arraes,
apóia Lula no 2º turno. No comício
final, na Candelária, fica junto com o
presidente do PSB, Jamil Haddad e o
secretário geral, Roberto Amaral.
3. Miguel Arraes no PSB (1990 /
2005)
Em março de 1990, o governador Miguel
Arraes, convidado pela direção nacional,
ingressa no PSB. O partido que
recomeçara com lideranças de classe
média, que após grandes esforços estava
organizado em todo o país e com registro
definitivo, contava agora com uma das
mais importantes lideranças populares.
Com sua experiência, capacidade de
mobilização e de análise política, vai
fazer com que o Partido tenha um grande
crescimento eleitoral , superando até a
cláusula de barreira mais à frente. O
momento político era de ápice do
neoliberalismo, confundindo até pessoas
de esquerda. Com serenidade e firmeza,
Arraes chamava a atenção para o fato de
que, o neoliberalismo é o liberalismo
tradicional com nova roupagem, trazendo
mais miséria, mais fome, mais
exploração. O centro de suas lutas está
na nação, nas desigualdades sociais e
regionais. E será o povo o responsável
pela transformação. Para isto, o PSB tem
de se transformar em um partido popular.
No fim do ano, será , pelo PSB, o
deputado federal mais votado do país..
Entre 1990 e 1992, o governo Collor vai
encontrar no PSB uma oposição
conseqüente. O Partido será reconhecido
como guardião da Constituição. Entra com
diversos recursos contra
inconstitucionalidades : confiscos do
Plano Collor, taxa para conservação de
rodovias (obteve deferimento), decreto
dando ao Presidente direito para
privatizar estatais sem passar pelo
Congresso. Os deputados socialistas
reagem contra a destruição da máquina
pública. Miguel Arraes lê da Tribuna da
Câmara o Manifesto da Frente Parlamentar
Nacionalista que condena a
desestatização desenfreada que inclui
até a Usiminas.As administrações
municipais socialistas começam a mostrar
uma forma de governar com intensa
participação dos setores mais oprimidos
da população, com políticas centradas na
educação, saúde, geração de emprego e
renda. Os programas partidários na TV e
rádio apresentam estas experiências e
recebem elogios e o Partido novas
filiações.
A denúncia de corrupção feita pelo irmão
de Collor, em maio de 1992, vai levar o
PSB, através das falas de Miguel Arraes
e do líder na Câmara, Célio de Castro, a
solicitar uma CPI. O senador José Paulo
Bisol e o agora deputado federal pelo
Rio de Janeiro, Jamil Haddad ,vão
participar da CPI. Ao lado da
investigação no Congresso a população se
mobiliza no Fora Collor à partir de
agosto. O relatório, com provas cabais
de desvios dos recursos públicos, é
aprovado. Evandro de Lins e Silva,
fundador e refundador do PSB participa
da comissão de juristas que elabora o
pedido de impeachment. Barbosa Lima
Sobrinho, presidente da ABI e
ex-deputado federal do PSB, faz a
entrega do pedido ao presidente da
Câmara. Decidida pelo Congresso a
continuidade da investigação, Collor é
afastado e assume o vice, Itamar Franco.
A CNE do PSB avalia ser Itamar Franco
pessoa com boa avaliação ética e
defensor, quando senador, dos interesses
nacionais. Jamil Haddad assume o
Ministério da Saúde e Antônio Houaiss, o
Ministério da Cultura. Ao assumir, em
novembro de 1992, Jamil diz: “ A
administração socialista (...) instalará
neste ministério a religião do interesse
coletivo. E a probidade é seu primeiro
mandamento”. Sua atuação foi
importantíssima para a saúde no país. A
descentralização, prevista pela
Constituição e consolidada com a Lei
Orgânica de Saúde de 1990, através do
Sistema Único de Saúde (SUS), começa a
ser realizada com a criação dos
Conselhos Municipais de Saúde,
instrumento de definição das políticas e
sua fiscalização. Injeta recursos nos
laboratórios oficiais para a produção de
medicamentos. Recupera os hospitais
universitários em convênio com o MEC.O
Presidente assina o decreto proposto por
Jamil para os remédios genéricos. A
reação da industria farmacêutica
multinacional foi tão grande que apenas
quando Serra foi ministro da saúde de
FHC é que a aplicação acabou sendo
efetivada. Atuou na revisão dos
registros de remédios retirando
medicamentos danosos e fantasiosos. A
rede pública hospitalar sucateada
começou a ser recuperada. Para a
prevenção foi fortalecida a vigilância
sanitária, programas de vacinação e
saneamento básico. Como primeiro vice
presidente, Miguel Arraes assume a
presidência do PSB.
No Ministério da Cultura, Antônio
Houaiss vai ter como prioridades:
reverter a indigência e sufocação das
atividades de recuperação do patrimônio
histórico e artístico e o apoio às
atividades artísticas, particularmente o
cinema.
Em setembro de 2003, em Maceió, vai se
realizar o IV Congresso Nacional do PSB.
Depois de proposto pela CNE e discutido
em reuniões prepatórias é aprovado “Um
Projeto Para o Brasil” que passa a ser o
eixo da atuação partidária. A luta
política deve ser intensificada para a
população elevar sua consciência e sua
força. O Estado deve ser forte e não
inchado, regulador, planificador e
investindo nas áreas estratégicas.
Reconhecendo duas grandes lideranças, o
Congresso elege Jamil Haddad, Presidente
de Honra e Miguel Arraes, Presidente do
PSB.
Em 1994, o PSB vai apoiar novamente a
candidatura de Lula a presidente. Mas o
Plano Real, adotado em março pelo
governo Itamar, tendo Fernando Henrique
como Ministro da Fazenda, tem ótimos
resultados e leva-o à presidência.
Se a campanha de 1989 tivera um caráter
forte de frente, inclusive com o
candidato a vice, Bisol do PSB, a
campanha de 1994 ficou concentrada no
PT. Mas nos diversos níveis o PSB teve
crescimento eleitoral passando de 15
deputados estaduais para 33, de 11 para
15 deputados federais, elege Ademir
Andrade do Pará para o Senado e dois
governadores: Miguel Arraes em
Pernambuco e João Capiberibe no Amapá.
Em novembro de 1995, no Recife, teremos
o V Congresso Nacional do PSB. Dois
temas centrais de debate serão o
neoliberalismo e a nova lei de partidos.
Sobre a globalização e neoliberalismo,
Tânia Bacelar sintetizou de forma
brilhante as mudanças. A economia
capitalista em ciclo de baixa nos anos
70, vai fazer três movimentos:
1. Reestruturação positiva ou
mudança na organização da produção.O
investimento básico hoje é no
conhecimento.
2. Globalização, prevista por Marx,
levando a concentração e
centralização do capital.É enorme o
poder dos atores globais
enfraquecendo os Estados-Nação.
3. Financeirização da riqueza.Um ano
de movimento cambial corresponde a
18 vezes toda a produção mundial. O
neoliberalismo é a ideologia da
retirada do Estado e centralidade do
mercado adapta ao momento econômico
do capitalismo.É o único caminho?
Não.Projetos nacionais podem
garantir inserção na economia
mundial sem esta subordinação
incrível a que o Brasil se submete.
No debate sobre a nova lei dos partidos,
Carlos Siqueira apontou a intenção do
legislador: reduzir a influência dos
partidos de esquerda (PSB, PPS, PV, PDT)
pela cláusula de barreira. Qual a
estratégia do PSB? Tentar mudar a lei no
Congresso e crescer sua representação na
Câmara nas eleições.
1996 foi ano de eleições municipais. O
PSB teve um crescimento enorme. De 59
prefeitos eleitos em 1992, passou para
150. Nas capitais elege o prefeito de
Belo Horizonte e as prefeitas de Maceió
e Natal.
Em 1997 a Fundação João Mangabeira
promove seminário sobre as
administrações municipais socialistas.
Além de haver a troca de experiências
para melhor governar, os socialistas
passam a ter um perfil comum de
administração.
Sendo o ano de comemoração dos 50 anos
do PSB , em novembro,ele vai discutir em
seu VI Congresso Nacional, em Brasília a
construção de um grande partido nacional
e popular através de um projeto de
inclusão social que preserve a
soberania, fortaleça a federação,
consolide e unifique os movimentos
populares e dê solução às desigualdades
sociais regionais. Como você pode ver,
os Congressos Nacionais do PSB não são
apenas para a escolha de seus
dirigentes, mas um espaço de amplo
debate dos problemas nacionais e as
possibilidades de superá-los no caminho
do socialismo democrático.
Em 1998, Roberto Amaral, desenvolve de
forma participativa, o Programa de
Governo do PSB. É uma combinação dos
princípios e experiências do PSB para
orientar o exercício do poder em
sociedades capitalistas favorecendo os
caminhos para o socialismo. A Fundação
João Mangabeira vai promover em Brasília
Curso de Capacitação de Instrutores em
Formação Política. Os 38 militantes de
18 estados vão preparar-se para
multiplicar a formação política em suas
regiões.
Nas eleições presidenciais, o PSB
integra novamente a aliança de Esquerda
de apoio a Lula. Logo após o segundo
turno Arraes apresenta um texto de
grande profundidade: As eleições de 1998
e o golpe de 1964” mostrando que os
objetivos do grande capital
internacional e nacional impostos em
1964 cada vez mais se realizam. A única
forma de enfrentar o desafio é
desenvolver amplo movimento popular.
Em 1999, além de realizar diversos
seminários, debates e publicações o PSB
realiza seu VII Congresso Nacional em
Novembro, em Brasília. Antônio Houaiss,
primeiro presidente do PSB refundado ,
falecido há pouco,será homenageado.
Em 2001 o PSB decide ter candidato
próprio à presidência. A idéia é
oferecer ao eleitorado outra opção além
de Lula para buscar a mudança.No 2º
turno as esquerdas apoiariam o mais
votado dentre seus candidatos.
Quais devem ser os eixos do Programa? A
sugestão de Arraes é aprovada por
unanimidade do Diretório Nacional. São
eles:
1.Inserção, sem submissão aos EUA,
no mundo global.Mercosul como ponto
de partida.
2.Auditoria da dívida pública,
interna e externa. Há investimentos
sociais urgentes.
3.Revisão das privatizações feitas
pelo governo federal.
4.Restabelecimento da federação.
5.Fortalecimento do Estado como
agente de desenvolvimento para
reduzir disparidades regionais.
O VIII Congresso Nacional do PSB,
realizado em novembro de 2001,em
Brasília, confirma a decisão pela
candidatura própria à presidência da
República.
Em 2002 esta decisão será levada à
prática. Garotinho, governador do Rio de
Janeiro, que saiu do PDT e se filiou ao
PSB, será candidato a Presidente da
República e o Deputado federal do PSB do
Maranhão, José Antônio, será candidato a
vice. Os compromissos básicos serão:
Com a soberania – autonomia
decisória
Com a solidariedade – nação de
cidadãos
Com o desenvolvimento – projeto
coerente
Com a sustentabilidade
Com a democracia ampliada
A candidatura obteve mais de 15 milhões
de votos mas ficou em terceiro lugar. No
segundo turno o PSB apoiou Lula.
Os resultados para a Câmara Federal, com
22 eleitos foram decisivos para vencer a
cláusula de barreira.
Em 2003 o PSB tem novas
responsabilidades. Roberto Amaral assume
o Ministério de Ciência e Tecnologia.
Será sucedido em 2004 pelo deputado
federal por Pernambuco, Eduardo Campos.
Em 2006, Sérgio Resende, também do PSB,
assume o cargo.
A política teve continuidade, sendo
situada em 4 eixos:
Inclusão social, com redução das
desigualdades regionais.
Desenvolvimento econômico agregando
inovações.
Ampliação da formação de
pesquisadores em áreas estratégicas.
Intensificação da cooperação
internacional com afirmação da
soberania nacional.
A atuação do partido no Congresso foi de
apoio ao governo Lula mas mantendo
fidelidade ao seu programa. Na reforma
da previdência a bancada não aceitou o
pacote enviado pelo governo.Defendeu
previdência complementar pública e não
privada. Na reforma tributária
apresentou emendas: taxação da
especulação financeira com a taxa Tobin,
desoneração na área produtiva e nas
folhas de pagamento.
Em 2004 o PSB cresce nas eleições
municipais. Dos 133 prefeitos eleitos em
2000, passa agora para 176. é o nono
partido mais votado.
Em 2005 o PSB e o Brasil vão perder
Miguel Arraes. No dia 13 de agosto
faleceu.
O IX Congresso do PSB realizou-se poucos
dias depois, sob a presidência de
Roberto Amaral que salientou o
compromisso, individual e coletivo com a
continuidade da obra de Arraes.
Na Declaração Política define:
Só a construção da justiça social
poderá gerar a verdadeira
estabilidade
Como todo o povo o PSB sofre com a
erosão da esperança e dilapidação do
patrimônio ético-político
O PSB reafirma a governabilidade e
busca cabal apuração de toda e
qualquer irregularidade ou desvio de
conduta no poder público.
O PSB defende política econômica
soberana e reforma política
profunda.
Eduardo Campos, foi eleito
presidente do PSB para o triênio:
2005-2008.
4. Os novos desafios
Nas eleições de 2006, o PSB apoiou a
recandidatura vitoriosa de Lula à
presidência.Elegeu três governadores:
Eduardo Campos (PE), Wilma de Faria (reeleita-RN)
e Cid Gomes ( CE ) .
Em 2007, a bancada do PSB no Senado é
composta de : Antônio Carlos Valadares
(SE), Patrícia Sabóya Gomes (CE) e
Renato Casagrande (ES).
Na Câmara dos Deputados , tem hoje 29
parlamentares e formou a bancada de
esquerda de apoio ao governo federal,
composta de 78 deputados. Ao lado do PSB
estão o PDT, PAN, PMN e PHS, sob a
liderança do Deputado Federal do PSB de
São Paulo, Márcio França.
Quase 200 dos municípios são governados
por prefeitos do PSB e 1879 vereadores
socialistas apresentam projetos e
fiscalizam a administração de suas
cidades.
A Fundação João Mangabeira realizou, no
dia 21 de janeiro, Seminário de
Planejamento Estratégico dos Segmentos
Organizados do PSB. Cada um deles
realiza seu Congresso Nacional um dia
antes do Congresso Nacional do PSB .Eles
contribuem para a integração do partido
e seus representantes no executivo e
legislativo aos movimentos sociais.
A Juventude Socialista Brasileira (JSB)
que teve seu primeiro Congresso Nacional
em 1993 tem como meta a conscientização
e politização dos jovens para a
construção do socialismo.
O Movimento Sindical Socialista, com seu
primeiro Congresso Nacional em 1997,
propõe um sindicalismo livre,
democrático, classista, autônomo e de
luta, comprometido com a construção do
socialismo.
A Secretaria da Mulher, teve seu
primeiro Congresso em 1999. Para buscar
a sociedade socialista é necessário
alcançar a igualdade de gênero.
O Movimento Negro do PSB foi criado em
2003.Luta pelo socialismo democrático
com justiça e equidade, unidade na
diversidade.
O Movimento Popular Socialista realizou
seu primeiro Congresso em 2005.
Depois de examinarmos estes 60 anos do
PSB, entendemos a razão do orgulho dos
militantes do Partido. A semente lançada
em 1947 rendeu bons frutos. Um pequeno
partido, com diminuta presença nos
movimentos sociais, poucos parlamentares
e ocupantes de mandatos no executivo,
tem hoje uma ampla representação
política em todo o país, cresce nos
movimentos sociais e é respeitado pela
fidelidade a seus princípios e a seu
programa. Com densidade faz a crítica à
sociedade capitalista em que vivemos e
apresenta proposições voltadas para a
sociedade futura, que será, temos
certeza, socialista e democrática.
Se acompanhamos toda a construção do
PSB, de suas idéias, lideranças e ações
na sociedade e nos espaços de poder, se
nos sentimos herdeiros desta história
com resultados brilhantes em condições
tão adversas, novos desafios se
apresentam para o PSB e para todos nós,
socialistas.
Carlos Siqueira, Primeiro Secretário
Nacional do Partido, apresentou uma tese
no IX Congresso do PSB, em 2003,
estimulando o desenvolvimento de um
projeto de ampliação dos objetivos
estratégicos do PSB. Parte das
preocupações historicamente básicas da
esquerda e marcantes na vida do PSB: a
igualdade, a justiça, a liberdade e a
participação. Como incluir no projeto
estratégico do Partido, de mudanças
estruturais na sociedade, os novos
problemas e atores que não se limitam a
oposição proletariado e burguesia ou
socialismo e capitalismo. Na diversidade
e pluralidade da vida social
contemporânea, há relações outras de
dominação e subordinação como as de
gênero ou as étnicas que precisam não só
ter espaço de fala mas também passarem a
ser parte do processo de libertação
socialista. A democratização precisa ser
aprofundada com a participação cidadã
mas precisa ser estendida às diversas
instituições sociais como a família, a
escola, as igrejas, os serviços
públicos...
Para tornar realidade esta ampliação de
objetivos teremos de desenvolver, pelo
menos seis pontos:
1. incluir esta diversidade com
sentido de conjunto
2. as diversas vozes precisam ter
elos de ligação entre suas demandas
e a luta política
3. estas diversidades devem aparecer
em suas falas, em sua dignidade e
identidade, sem se dissolver
4. as necessidades do “aqui e agora”
tem que ser contempladas, ao lado
dos objetivos de médio e longo prazo
5. o projeto ampliado deve ter um
compromisso ético-político com o
presente e o futuro dos sistemas
vivos do planeta, revolucionando a
vida das pessoas em um meio ambiente
saudável
6. assumir como valores
fundamentais:
A.O igualitário e popular
retomando as aspirações dos
excluídos, discriminados e
oprimidos não apenas entre os
trabalhadores da cidade e do
campo. Os jovens encontram
enormes dificuldades de acesso
ao mercado de trabalho. As
mulheres enfrentam a violência
doméstica e salários mais baixos
que os homens nas mesmas
atividades. Com aposentadorias
ridículas os idosos passam a
trabalhar como antes para se
sustentar.
B. O democrático não apenas na
vida política mas em toda a vida
social.
C. O libertário combinando o
aprofundamento das liberdades
pela democratização da riqueza
social com o respeito à
diferença. Serão excluídas as
liberdades de torturar,
explorar, oprimir, discriminar.
Todo este projeto de uma nova esquerda
no Brasil só será factível numa nação
soberana, capaz de se incluir na
globalização sem subserviência aos
interesses do grande capital e das
grandes potências.
O desafio que está posto hoje para o
PSB, que deve ser enfrentado sob a
liderança do Governador Eduardo Campos e
com a participação das lideranças
emergentes do Partido que se somará à
experiência histórica acumulada por
diversos companheiros, é formular um
projeto para o Brasil, capaz de ampliar
substancialmente as conquistas do atual
governo.
Uma esquerda capaz de ter clareza nas
políticas urbanas , quando 80% dos
brasileiros moram nas cidades, cercados
de problemas. Uma nova esquerda capaz de
reorganizar o pacto federativo, para que
prefeitos e governadores deixem de ir à
Brasília com pires nas mãos. Uma nova
esquerda capaz de formular e implementar
um desenvolvimento sustentável,
construindo um mercado interno sólido,
uma produção interna com grande valor
agregado, enfrentando a cultura do
consumo supérfluo do capitalismo,
garantindo a convivência com a natureza
e não sua destruição.
Este desafio é de todos nós. Durante e
após o curso, com concordâncias e
discordâncias, com complementações, com
pensamento e ação, você pode e deve
enfrentar os desafios do presente como
ator desta história. |